Relacionamento Agência x Cliente
Na edição número 34 da revista Design Gráfico uma mesa redonda intitulada Os designers vistos e analisados pela ótica dos clientes abordou pontos muitos interessantes sobre a convivência entre agência e cliente. A seguir reproduzimos alguns trechos:
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DG: Alguns designers dizem que empresários brasileiros não sabem comprar design. O que vocês têm a dizer sobre isso?
Roque Mendes
(gerente de marketing da Cirio):
Os empresários sabem comprar design. Da mesma forma que existem designers e designers, existem clientes e clientes. Quando há um bom briefing e um bom designer, as coisas casam e resultam em um bom trabalho.
No geral, o design brasileiro é bom e, se é bom, é porque os empresários sabem comprar.
Roberto Bertani
(diretor de marketingo do Banco Real ABN Amro):
Estamos passando por uma grande transformação no Banco Real (a fusão do Real com o ABN Amro Bank). A experiência está sendo muito interessante. Fui contratado há três anos para cuidar da comunicação visual do banco. Depois, assumi a área de merchandising, e o design tinha outro nível de importância. Com a incorporação do Real pelo ABN Amro, o conceito de comprar design passou a se desenvolver a partir de uma cultura que está vindo de fora. Lá, o ABN preza o design, a questão da marca, da identidade, e isso entrou pela principal porta do Real. A gente está trabalhando na incorporação da nova identidade com essa cultura. Mas o que eu entendo sobre a compra do design é que há empresas que têm equipes internas que conseguem discernir o que é um bom design e como comprar um bom design, e há empresas que não estão preparadas para isso. No Real ABN ainda acontecem alguns deslizes. Quando vem o orçamento de um designer para desenvolver o papel de carta, as pessoas dizem: ah, mas tem aquele fulaninho ali que entende de computador e pode fazer, ou meu primo desenha. O bom empresariado está preparado para comprar design, mas eu diria que não se estende para toda a classe. Nós já tivemos boas e péssimas experiências com os escritórios de design. Eles e nós aprendemos com esses acontecimentos. O que eu entendo é que quando um empresário contrata um escritório de design espera que faça todo o trabalho, sem ter que ficar corrigindo detalhes.. Se o empresariado não estiver preparado, vai comprar mal. Pode estar pegando um pseudo-designer que faz um bom trabalho mas não tem conceito.
Ronaldo Albertino
(diretor adjunto da franquia do Caesar Park):
O empresário não tem que saber comprar design. Ele contrata um profissional para resolver seu problema. Quem tem que entender de design é o designer.Trabalho com designers inernacionais e com brasileiros, e muitas vezes prefiro a qualidade do design nacional, por tempo de entrega, por entender melhor o meu mercado, pela possibilidade de formar parcerias no desenvolvimento do trabalho.
Sandra Seiko
(departamento de comunicação do Banco Real ABN Amro):
Todo mundo se sente um pouco designer, inclusive os empresários. Às vezes eles querem dar palpite, querem opinar, distorcer uma questão decidida pelo designer. O equilíbrio na relação entre o empresário e o designer é meio complicado. É difícil definir até onde o designer pode ceder e até onde o empresário quer
dar palpite.
DG: Por que vocês investem fortunas em publicidade e reclamam do preço na hora de investir em design?
Roque: Eu concordo. Gastamos fortunas em publicidade e na hora de contratar um trabalho de design a gente pechincha, quer pagar menos. Há casos em que falamos: ah, dá para fazer internamente, a nossa área de desenvolvimento de embalagem pode fazer. Para que gastar?
Mariana Medeiros Engelke
(gerente de negócios da Hering):
Eu sou o oposto, invisto muito em design e pouco em propaganda. A Hering valoriza o design. Nós investimos mais em design de embalagens e de marcas do que em publicidade. Mas é uma coisa cultural o fato de as empresas pagarem mais para a publicidade. O mercado já sabe trabalhar com a propaganda e medir o
retorno que ela dá: eu vou gastar tanto de verba e isso vai me gerar um mercado de tanto. E quanto vai me gerar o design daquela embalagem que eu vou colocar na prateleira? Mas acho que as coisas estão mudando.
DG: O que pode melhorar na relação designer/cliente?
Roberto: Para um casamento feliz entre designer e cliente é necessário transparência das duas partes e respeito profissional. Eu preciso entender a proposta do designer, respeitar a proposta dele, mas ele também precisa entender as minhas necessidades. Tem que haver equilíbrio na relação e comprometimento profissional. Para o designer criar, ele precisa de informação, e muitos clientes, quando fecham o contrato, não dão as informações necessárias em tempo certo, mas cobram agilidade.